As “ectomias” da vida canina…

E nesse nosso mundo cão existem diversas “ectomias”: conchectomia, caudectomia, cordectomia e onicectomia (esse último para gatos, confesso!). Cada uma delas mais controversa que a outra, gerando discussão entre especialistas e amantes de animais. Para entender o que cada uma representa, segue o resumo:

  • Conchectomia: cirurgia que corta as orelhas do cachorro, deixando-as em pé.
  • Caudectomia: cirurgia de corte da cauda.
  • Cordectomia: cirurgia que corta as cordas vocais dos animais.
  • Onicectomia: cirurgia de remoção das unhas dos gatos (possivelmente para que ele nunca possa sequer pensar em arranhar o sofá, imagino ¬¬).

A grande retórica gerada sobre o assunto envolve a real necessidade de se fazer essas cirurgias, principalmente nos dias de hoje. Alguns especialistas alegam que a conchectomia e a caudectomia tem finalidades bastante específicas em determinadas raças. Já o senso comum garante que tais incursões são meramente estéticas (ou apenas para minimizar a irritação dos donos com seus animais, como no caso da cordectomia e da onicectomia… imagino).

A prática das duas primeiras começou a ser introduzida à medida que os criadores de cães apuravam as raças para funções específicas. Dizem que a conchectomia é aplicada unicamente em raças cuja principal finalidade é a de proteção, uma vez que precisem de maior acuidade auditiva para captar sons que indiquem a presença de alguém ou de alguma coisa. Este procedimento facilitaria a movimentação de ereção, abaixamento e rotação das orelhas e daria aos cães melhores condições de espantar insetos e de se proteger da mordida de outros cães. A conchectomia também auxiliaria a circulação de ar no conduto auditivo, diminuindo a umidade e as chances de proliferação dos microorganismos que levam à otite.

Já a caudectomia seria realizada em cães de caça, onde o corte mais longo da cauda permitiria que o dono a usasse para puxar o cachorro e/ou erguê-lo, separando-o de uma briga ou retirando-o da toca de algum animal após a caçada. Além disso, dizem que algumas raças, por terem caudas muito compridas e de pontas muito finas, costumam sofrer feridas recorrentes ao baterem nos objetos. Com o passar do tempo, tais feridas acabariam por não cicatrizar, levando a uma amputação em idade avançada (como seria o caso do Dogue Alemão).

A FCI (Federação Cinológica Internacional) já determinou que o corte das caudas e das orelhas não são mais obrigatórias nas exposições. Para muitas pessoas, essas ações não passam de mutilações, que possuem caráter meramente estético e que causam dor ao animal, principalmente porque são, muitas vezes, feitas sem a menor assepsia por pessoas que desconhecem o processo e a maneira correta de aplicá-lo a cada raça (pois o corte é feito em alturas diferentes dependendo do tipo de cão).

Como toda cirurgia, a ação vem embutida de alguns riscos (anestesia, infecção pós-operatória, etc) e recomendações. Os filhotes devem passar pelo procedimento de 3 a 10 dias após o nascimento, quando a anestesia local é bem aceita. Se a caudectomia não for realizada nesse período, deve-se aguardar que o animal complete 8 semanas, pois assim ele já terá condições de receber a anestesia geral. Entretanto, a partir dos 2 meses, o corte da cauda se transforma em uma verdadeira cirurgia de amputação, e seu pós-operatório requer antibióticos, antiinflamatórias, curativos e contenção do animal para que ele não retire os próprios pontos.

No caso dos filhotes, o dono deverá ter um cuidado constante com lambedura da mãe no local do corte, pois esse ato poderia remover as suturas. Tanto o local de convívio do cachorro quanto seu ferimento precisam ser constantemente limpos e com recorrentes aplicações de repelentes em pasta (menos tóxicos), para que o animal não sofra infecções ou infestações por ovos de moscas.

Confesso que eu, particularmente, não adoto nenhuma dessas práticas, sejam elas justificadas ou não (afinal de contas… para a cordectomia e a onicectomia não há justificativas mesmo!). Convenhamos… os cachorros hoje tem caráter muito mais doméstico do que as funções para as quais suas raças foram “apuradas”. E, mesmo que os donos gostem de praticar esportes como a caça e adquiram uma raça por conta de seus atributos, as condições esportivas hoje são muito diferentes das quais os animais eram expostos antigamente, quando a caça era muito mais voltada para questões de subsistência. Eu só concordo com essas práticas quando são realizadas a fins de tratamento, como extirpar tumores, corrigir infecções e auxiliar no trato de doenças.

Cesar e seu Pit Bull Junior... com orelinhas!!

Em muitos países este tipo de cirurgia foi abolida e o animal só poderia participar de exposições se estivesse “completinho”. No Brasil, o CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária) proibiu, por meio de resolução publicada no “Diário Oficial” da União, o corte da orelha, a retirada das cordas vocais (em cachorros) e a retirada de unhas (em gatos). A medida também torna não-recomendado o corte da cauda. Em um site que li, o escritor disse que essa resolução só atinge aos veterinários, não alcançando as demais pessoas, o que seria uma baita burrada. Convenhamos, o único cara que realmente sabe fazer a operação fica vetado a fazê-la, abrindo espaço para que outros “especialistas” venham a concluir a ação ilegalmente (e, muitas vezes, de maneira inapropriada, constituindo realmente um crime).

Não sei se a proibição é, realmente, o melhor caminho. Se ela não for rigidamente fiscalizada e punida, não trará resultados, e como todo item proibido, abre margem à clandestinidade. Talvez a conscientização do quanto é desnecessária essa prática poderia, muito bem, surtir maiores efeitos. Afinal de contas, um Pit Bull de cauda e orelhas caídas fica a coisa mais linda desse mundo!

Referências: http://petdicas.com.br/cordectomia-conchectomia-caudectomia-onicectomia-a-proibicao-e-a-solucao/9/; http://www.conteudoanimal.com.br/colunasver.asp?titulo=%27Cochotomia%20e%20Caudectomia:%20Fazer%20ou%20N%E3o%20Fazer?%27; http://www.jornalprimeirahora.com.br/noticia/49386/Caudectomia-e-conchectomia; http://www.dogtimes.com.br/orelhas2.htm

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