Trabalho de Cão – Cães Farejadores (parte 2)

E aqui, o que ficou faltando falar sobre cães farejadores!! *rs*

Pré-Requisitos de um Cão Farejador

Por óbvio, tem que ser um farejador excepcional, cuja habilidade olfativa seja altamente instintiva. Mas, ainda que essa seja a característica mais importante, outros itens se fazem necessários para o trabalho. São levados em consideração a raça, idade, desejo de buscar objetos e gosto por essa brincadeira.

As raças variam de acordo com a disponibilidade local e com o tipo de região na qual o cão atuará. Raças esportivas adaptam-se bem ao cargo, mas, ainda assim, as preferidas para a função são o Pastor Alemão (de treinamento fácil e flexível), o Labrador Retriever e o Golden Retriever, que dominam, atualmente, o cenário de cães treinados na busca de drogas a nível mundial. O Labrador costuma receber a liderança, pois é um pouco menor e se introduz mais facilmente em celeiros, sótãos ou lugares apertados.

O cão deve ter entre 18 e 24 meses para iniciar o treinamento. As fêmeas geralmente começam antes e aprendem mais rapidamente (claro! *rs), e ainda levam vantagem por não terem a necessidade de marcar território e não se distraem com fêmeas no cio.

O entusiasmo é muito importante, pois o cão não pode se cansar rapidamente da brincadeira de farejar e encontrar o item escondido. Não obstante, deve se sentir a vontade para fazer buscas em qualquer ambiente: barcos, locais com outros cães… ele tem que demonstrar confiança e entusiasmo em superar dificuldades.

Treinamento

Depois do cão se acostumar a responder o chamado do dono, sentar-se, ficar quieto e seguir comandos básicos, o cão entra na fase “escolar”, onde passa por um treinamento que dura, em média, 04 meses, com dedicação integral. O cão vai sendo condicionado a perceber e identificar os odores, sendo cada exercício mais desafiador que o anterior.

Começa-se colocando a droga em tubos de PVC ou em sacos de lona impermeável, para evitar o contato do cão com a substância. Esse tubo é tampado nas duas extremidades, recebe minúsculos buracos e é envolvido em folha de poliuretano e em tecido de algodão, se assemelhando aos brinquedos caninos. O cão deve encontrar seu brinquedo, que com o passar do tempo vai sendo escondido em áreas cada vez mais complicadas, como assentos, faróis ou filtros de ar de um automóvel.

Ao encontrar a droga, o cão receberá recompensas, carinho e muitos reforços positivos, para tornar a experiência agradável e trazer a associação de recompensa após a busca. De maneira alguma o cão terá contato direto com a droga ou será recompensado com ela.

Os cães podem ser treinados a responderem de duas maneiras, o Alerta Ativo e o Passivo. No Ativo, o cão dará uma resposta entusiástica, arranhando, mordendo e latindo no local onde a droga está inserida. Já no Passivo, o cão senta ao lado do suspeito ou local da droga, ou realiza movimentos previamente determinados (um sinal) para indicar o local do esconderijo. O primeiro serve para cães que trabalham, geralmente, em locais abertos e de difícil acesso, enquanto que o segundo são usados no contato direto com o ser humano.

A Especialização…

E, depois da escola… vem a faculdade!

Depois da primeira fase de treinamento, o cão deve se acostumar ao ritmo dos aeroportos, ao movimento das estradas, ao contato com outras drogas mais pesadas (como heroína, cocaína e afins) para poder, finalmente, entrar em campo. Normalmente o cão se especializa em uma única droga, para que lhe seja conferida a máxima eficiência na busca. Sua eficiência pode revelar materiais escondidos em caixas hermeticamente fechadas, embaixo de 30 centímetros de azeite, numa cisterna de água, em um saco de especiarias e onde sua imaginação alcançar!

Traficantes tentaram burlar o sistema se utilizando desde pimenta, alho e produtos que faziam o cão lacrimejar até a presença de gatos, para fazê-los esquecerem-se de seu real objetivo. Mas nada como um cão bem treinado…… os humanos, percebendo a situação, passaram a colocar o cão em situações semelhantes a essas até ele se acostumar a ultrapassá-las ou a ignorá-las.

Ao contrário da maioria dos seres humanos, para os cães o trabalho significa muito mais uma brincadeira que uma obrigação. Tudo é feito em busca de reconhecimento, agrados e petiscos. O cão não é forçado a fazer nada que seja contra sua natureza e adora ter um trabalho que lhe seja significativo.

Eles costumam trabalhar seis horas por dia (com intervalos a cada 40 minutos para descansar e “ir ao banheiro”), recebendo folga a cada dois dias. Já o treino é contínuo, praticamente diário, pois se ficarem mais de 10 dias sem atividade perdem um pouco a sensibilidade do faro.

Aposentadoria

E pra quem achava que só humanos se aposentam está muito enganado. Após oito anos de serviço o cão já está apto a fazê-lo, normalmente ficando com o policial que o acompanha. Se o policial não o quiser, pode ser repassado a outro companheiro ou enviado para adoção.

Um caso famoso citado em um dos sites de referência é o das labradoras Dara e Anny, que se aposentaram recentemente, após ficarem famosas, entre outras ações, pelas buscas no desabamento da estação Pinheiros (linha Amarela do metrô de São Paulo) em 2007, e do acidente da TAM em 2008.

Cães na Mídia

É bastante corriqueira a presença de matérias sobre cães farejadores na mídia. Entre apreensões e resgates, o cunho heróico de seus feitos é sempre destacado. Recentemente, uma matéria que me chamou a atenção foi o Brasil treinar o primeiro cão farejador de celulares em presídio, pois o cão consegue distinguir os componentes químicos existentes na bateria do aparelho. Fuzil, um pastor belga, passou sete meses em treinamento e é o segundo a se especializar no assunto no mundo. Em seus dois primeiros meses de trabalho ele localizou 13 celulares na área externa de progressão (regime semi-aberto). Se quiser ler a matéria na íntegra, clique aqui.

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Referências: http://www.dgabc.com.br/News/5762143/cao-farejador.aspx ; http://www.dogtimes.com.br/farejadores.htm ; http://www.webanimal.com.br/cao/index2.asp?menu=fareja.htm

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