Raças de Cães – Fila Brasileiro

Era uma vez… quando eu estava passeando pelas praias de São Luiz do Maranhão, vi um homem com seus 3 ENORMES Filas correndo pela areia. Depois de uma longa volta, os quatro entraram no mar, divertiram-se nas ondas e voltaram para casa. As coisas mais lindas de se ver (os cães… não o homem *rs). Foi a primeira vez que vi, pessoalmente, cães se divertirem tanto na água do mar. E com aquele tamanho todo, o sol refletindo em seus pêlos… dava para fazer uma pintura.

Dá um baita orgulho dizer que o Fila Brasileiro é um cão de grande porte desenvolvido naturalmente aqui e é a nossa primeira raça a ser reconhecida internacionalmente pela FCI (1968). Em 1982, foi a raça mais registrada pela CBKC (Entidade cinófila brasileira) e continua sendo, até hoje, uma das 10 mais registradas no país. Sua popularidade foi tanta que, em 74, teve seu corpitcho estampado no primeiro selo com imagem de cão na América Latina.

História

Ainda que os Filas sempre estivessem presentes em todas as regiões do Brasil, a rota dos tropeiros (condutores de tropas entre as regiões de produção e os centros consumidores do século XVII no Brasil) influenciou uma maior presença da raça em determinadas regiões. Suas comitivas eram sempre protegidas por Filas, os levando a uma maior concentração no centro-oeste e sudeste do país, principalmente em Minas Gerais e Mato Grosso. Algumas gravuras do século XIX também demonstram a presença da raça no nordeste brasileiro, trabalhando principalmente como boiadeiros ou cães de caça.

A intervenção humana foi um determinante para sua criação, uma vez que a raça precisou ser aperfeiçoada para agüentar as condições árduas encontradas pelos primeiros Filas que circularam por aqui. Junto aos colonizadores, eles também foram usados para proteger os grupos contra animais selvagens e para ataques a tribos nativas e quilombos. Sua origem é tema de discussão, na qual o “Grande Livro do Fila Brasileiro” apresenta algumas teorias:

1)      A mais difundida é que o Fila descenderia dos cães trazidos para o Brasil durante o período de colonização portuguesa, formado, portanto, de cães que eram comuns em toda a Europa Ocidental. Dos Mastiff eles teriam herdado o porte e a aptidão para a guarda; do cão de Santo Humberto viria o faro; e do Bulldog Inglês teríamos a agressividade, a aptidão para a caça a grandes animais, o talento para o trabalho com o gado e a tolerância a dor acima da média. Filhotes com essas características eram os mais procurados por capitães do mato, bandeirantes, tropeiros, caçadores, fazendeiros e peões, popularizando a raça.

2)      A segunda teoria mais aceita e com maior base bibliográfica diz que os neerlandeses (povo germânico), em sua invasão a Pernambuco em 1631, teriam trazido centenas de Engelsen Dogge e Dogue de Fort Race para ajudar a proteger as novas terras conquistadas e para se proteger contra onças e outros animais. Esses cães teriam se espalharam rapidamente pelo nordeste, acompanhando as tropas neerlandesas. Após a expulsão dos neerlandeses, os descendentes dos Dogues teriam sido aprimorados por meio da seleção genética natura, surgindo o Fila Brasileiro. Esses cães chegariam a Minas Gerais com a colonização às margens do rio São Francisco, sendo muito apreciados por sua aptidão no trabalho com o gado, característico da área, e como pastores para proteger o rebanho. Os tropeiros os espalhariam pelo país ao levarem seus cães durante a viagem de escoamento da produção.

3)      Há, também, a teoria que diz que os Filas Brasileiros seriam descendentes do Fila de Terceira (Terceirense), trazido em massa dos Açores pelos colonos portugueses, que o usava para ajudar nas lides rurais. Isso teria causado a extinção da raça em Portugal, que teria trazido quase todos os exemplares viventes no país e que deixaram de existir para dar espaço ao novo Fila Brasileiro, criado por meio de seleção genética para a adaptação em terras tupiniquins.

4)      A quarta hipótese é que nosso Fila teria se formado de cruzamentos ocasionais entre Mastiffs trazidos na colonização portuguesa com cães Perdigueiros encontrados no Brasil, mantendo o temperamento para guarda do Mastiff com a aptidão de caça do Perdigueiro.

5)      Na última opção temos todas as raças portuguesas e neerlandesas se mixando, influenciadas pela seleção natural das necessidades brasileiras.

Uma opção que não faz parte do livro seria a descendência do Fila Brasileiro de cães boiadeiros portugueses, como o Cão de Castro Laboreiro e o Cão de Gado Transmontano. A idéia é que todos os cães citados nas teorias anteriores não possuem a característica de bons protetores de rebanhos e condutores bovinos, coisa que os Filas são. Essas raças também seriam inglesas e, sendo o Brasil colonizado por Portugal, seria muito mais provável que o Fila descendesse de cães portugueses, muito mais comuns naquele país que os cães ingleses. Os Cães de Castro e os Cães de Gado foram forjados durante séculos por camponeses portugueses para se tornarem especialistas na condução e proteção de rebanhos contra ataques de lobos e para serem excelentes cães de guarda, assim como o Fila Brasileiro protege os rebanhos de ataques de onças.

As proximidades também seguiriam a nível físico, pois ambos são molossóides, com corpo grande e musculoso, são bastante ágeis (característica incomum para o porte), tem cabeças grandes e pesadas, barbela no pescoço, pele grossa, corpo retangular, cores semelhantes e com a presença do preto de maneira uniforme, que explicaria o preto no Fila, uma vez que o Bulldog, o Mastiff e o cão de Santo Humberto não o carregue, entre outros fatores.

Personalidade e Temperamento

Então… eu morri de vontade de ir mexer com àqueles 3 Filas que vi na praia. Ainda bem que meu sexto sentido (ou, melhor dizendo, a sensibilidade de captar a mensagem na energia que os cães estavam mandando) me advertiu a não me aproximar. Antes de levantar esta pesquisa, eu não sabia que uma das maiores características da raça (inclusive descrita em seu padrão oficial pela FCI) é sua aversão a estranhos. Essa é uma característica única entre todas as raças, que impede o animal de ser enganado por um desconhecido mal intencionado. Em exposições de beleza, o Fila é a única raça que não permite o contato físico com o juiz, não sendo penalizado por isso.

Inicialmente, essa agressividade era muito valorizada, até por seu uso em capturar escravos fugitivos e por ser cão de guarda. Entretanto, isso o associou ao título de “cão perigoso”, reduzindo sua procura pelas pessoas. Em meados da década de 70, a CBKC começou a introduzir mudanças no padrão, buscando diminuir sua agressividade exagerada. Assim, muitos criadores passaram a selecionar entre seus exemplares os que apresentavam um caráter menos “violento” para promover uma maior socialização entre eles. Atualmente, a definição de comportamento desejável descrita no padrão do Fila diz que ele “procura insistentemente a companhia dos donos, é de extrema tolerância com crianças e tem comportamento sereno, revelando segurança e confiança próprios”. Nem todos os criadores concordaram com as mudanças, e criaram uma nova associação – Clube de Aprimoramento do Fila Brasileiro – Cafib – que registra anualmente cerca de 200 filhotes e que manteve as características mais “violentas” do antigo padrão, especialmente no que tange à “forte aversão aos estranhos”.

Independentemente de sua fama, o Fila Brasileiro é conhecido por ser um cão extremamente fiel ao dono e aos membros da família, procurando insistentemente sua companhia. Sua tolerância a crianças é bem grande, deixando-os, inclusive, mexer em sua vasilha de comida, e adora brincadeiras. Sua devoção aos familiares é tão intensa que se criou um provérbio brasileiro secular onde se diz “fiel como um fila”. Ele é um cão grande, robusto, forte e de excelente faro. Seu temperamento exige um dono firme, responsável e consciente. Ele pode não necessitar de treinamento para ataque, mas é bom que receba adestramento de obediência, no qual jamais se deve utilizar métodos violentos. É uma raça muito meiga, carinhosa e fiel, carregada de coragem e destemor, onde mesmo bastante jovem já desconfia dos que não conhece.

As habilidades para o trabalho são bem marcantes, assim como sua pré disposição para guarda. Sua coragem o faz não recuar mediante tiros e bombas, o que é excelente para tropas de choque policiais e tropas de combate das forças armadas. Seu faro apuradíssimo e suas habilidades de caça ainda ajudam a proteger rebanhos de gado de ataques, e esses cães se sentem melhor na vida rural que na cidade, pois podem exercer todo seu vigor físico e robustez sem sofrer limitações, que normalmente ocorriam nos quintais das casas, por mais espaçosos que sejam.

Aparência

Convenhamos, dificilmente você não reconheceria um Fila. Seu traço mais marcante é, por óbvio, o tamanho, no qual os machos podem atingir até 75cm na cernelha. É uma das maiores raças caninas, ainda que existam maiores, e sua altura é reforçada por uma estrutura de massa muscular impressionante. Os machos pesam em torno de 70kg, com exemplares que passam facilmente esse peso. Mesmo com todo esse tamanho e peso, essa raça adquire uma velocidade impensável para seus atributos. Sua velocidade, aliada ao seu porte, dão ao Fila um dos mais potentes ataques entre as raças, podendo derrubar um homem sem o menor esforço e saltar obstáculo de dois metros com certa facilidade.

Atualmente, Filas brancos ou brancos e malhados são considerados impuros, sendo que, no passado, não só eram puros como foram campeões de exposições caninas. Os cinzas, malhados, manchetados, pretos com canela e azuis estão fora do padrão. As cores permitidas são todas as sólidas ou as tigradas com fundo sólido, desde que pouco rajados ou fortemente rajados. Podem ter máscara preta e marcações brancas nas patas, peitoral e ponta da cauda. Ainda que pouco desejáveis, são comuns as marcações brancas no pescoço seguidas pelo peitoral, formando um colar. Na prática, temos três cores e suas variedades: dourada ou amarela em todas as suas tonalidades, incluindo creme e tons de amarelo, castanhos ou avermelhados e, numa menor escala, o preto. Essas cores podem ou não ter rajas de pouca ou muita intensidade. Filas malhados, ao cruzarem, podem mais facilmente gerar exemplares brancos.

Saúde

Essa é uma raça bastante saudável, com uma expectativa de vida de 12 anos, até mesmo porque foi desenvolvida para ser forte e rústica, perpetuando os melhores exemplares. Devido ao grande porte, há algumas doenças que os acometem, ainda que não sejam males considerados endêmicos: displasia coxo-femural e de cotovelo, torção gástrica (que pode ser evitada dividindo-se as refeições e evitando que ele infira de uma só vez grande quantidade de alimento), complicações de parto (causadas pelo grande número de filhotes que normalmente nascem, expondo a cadela a infecções uterinas) e gastroenterite.

Os filhotes devem ser muito bem alimentados e com ração de boa qualidade, já que crescem muito rápido e podem desenvolver deformações ósseas e anemia. O chão da casa também não pode ser excessivamente liso, propiciando derrapagens constantes que agridam as articulações do cão que ainda está em formação.

Curiosidade

1)      Os Exércitos brasileiro e israelense realizaram, separadamente, estudos com diversas raças para escolher o cão mais apto ao trabalho de cão de guerra, muito mais complexo do que o policial. A conclusão foi que o Fila Brasileiro é a melhor raça de cão para as forças armadas. O Brasil, por meio de seu Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), realizou testes por 5 anos com Dobermans, Pastores Alemães e Filas, levando-os a situações extremas e próximas a um conflito real na selva. O Fila teve a melhor adaptabilidade nas difíceis condições da floresta amazônica, com excelente desempenho na maioria das qualidades testadas, como olfato, resistência, força, coragem, entre outros. Israel fez testes semelhantes em seus campos de treinamento, por um período menor. Ainda assim, elegeram o Fila por sua característica mais marcante, a coragem.

Entre seus êxitos profissionais, podemos citar que é uma das raças oficialmente utilizadas pelo Exército brasileiro, seja no Comando Militar da Amazônia, seja como cão para-quedista da Brigada de Operações Especiais. Recebe destaque como cão farejador ou cão de tropa de choque na polícia do Exército. No exterior, sabe-se de seu uso por forças de segurança no Perú, Nigéria, Israel e Chile. Nos EUA, é amplamente usado por diversas organizações e por agentes penitenciários em presídios de segurança máxima.

2)      Na tentativa de desmistificar a imagem agressiva do Fila, temos um momento chave em agosto de 97, quando o Fila Brasileiro foi um dos personagens centrais de um dos mais conceituados programas da televisão, o Jô Soares Onze e Meia, do SBT, quando o criador Walter Vertuan, do Canil Tibaitá – Brenda Lee, de SP, levou ao programa quatro Filas soltos, que se mantiveram tranqüilos e permitiram que as pessoas da platéia os acariciassem.

Referências: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fila_brasileiro ; http://www.dogtimes.com.br/fila.htm ; http://www.saudeanimal.com.br/fila.htm

15 comentários em “Raças de Cães – Fila Brasileiro

  1. ola eu gosto muito dessa raça
    tive trez filas brasileiro
    um era mistura com dorberman
    tenho uma agora mistura com labrador
    e tive um tigrado raça pura mais derão veneno e matarão ele
    eles são muito docil com os donos e priscipalmente com crianças
    mais pra extranho são muito bravos
    ninguem chega perto
    adoro essa raça
    quero ver se consigo um casal de raça pura fila brasileiro tigrado
    acho os cães os melhores amigos do homem
    eles são uma raça tranquila
    e agradeço muito que adora essa raça
    pra que não conheçem pode ter um experiencia propria
    tive um fila que ele e o meu irmãozinho se criarão juntos ele dormião juntos e ele nunca mordeu o menino
    ele fasia de tudo com o cachorro ate batia mais o cachorro nunca se quer rosnou pra ele

    1. Definitivamente é uma raça maravilhosa e fico feliz em saber que teve boas experiências com ela. É sempre bom encontrar outros fãs de cachorro. Continue visitando o blog, pois ficarei feliz em receber sua visita.

  2. eu tenho uma cadela fila com rotwaiiler ela é muito carinhosa ama crianças os adultos e também adora jogar bola… nós nos divertimos muito

  3. Boa tarde, só para complementar …
    essa ultima foto da página nao é um Fila Brasileiro, e sim um Tosa Inu.
    Abraços
    Rodrigo, Médico Veterinário – Belo Horizonte

  4. tenho uma fila brasileira , eu não gostava muito de cães , mas depois dela passei a amar , trato ela como minha filha , é uma das paixões da minha vida ! tambem com esse olhar q eles tem …

  5. Sou fanático por esta raça, gostaria de criar novamente, pois já criei dois e os mesmos morreram de velhice. Aqui onde moro não conheço ninguém que crie cães desta raça. Alguém se habilitaria a me doar um filhote da raça? Pois acho que é muito caro e não tenho condições de adquirir um. Peço encarecidamente que me ajudem, e me respostem!

    Contatos: herbert-aquino@hotmail.com

    Desde já agradeço a todos.

  6. tenho uma cadela fila e ja tive um macho quando criança e uma raça maravilhosa,muito carinhosa e defende muito bem seus donos.

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