Raças – Labrador Retriever (parte 1)

Nossa! Mas tem coisa pra falar dessa raça hein!! Estou há mais de 4 semanas mexendo nos conteúdos de pesquisa, sintetizando e desenvolvendo o post. Deve ser um dos que me deu mais trabalho. Mas a raça merece… coisa linda da mamãe! *rs. Entretanto, mesmo que eu não me incomode, geralmente, de criar posts grandes para as raças… isso aqui ficou tão gigante que eu não tenho como manter tudo junto. Infelizmente, dividirei em duas partes.

O Labrador Retriever (ou simplesmente “Lab” em alguns países de língua inglesa), é uma das mais conhecidas raças de cães do mundo. O nome “Retriever” se deve ao fato de o Labrador ter como principal função o resgate da caça abatida. Existem mais raças na família dos “Retrievers”, como o Golden, o Toller (Nova Scotia Duck Tolling Retriever), o Curlie Coated, o Chesapeake Bay e o Flat Coated Retriever.

Os Labs são bastante atléticos e adoram nadar, brincar de jogos de pega e trás e amam crianças, sendo excelentes protetores (e babás *rs).

História

Os ancestrais do Labrador moderno, denominados Cães D’Água de St. John (St. John’s Water Dog), são originários da ilha de Newfoundland (Terra Nova), no Canadá, e provenientes dos cruzamentos entre raças inglesas, irlandesas e portuguesas pertencentes aos primeiros colonos da ilha no Século XVI.

Essa região de Terra Nova foi colonizada principalmente por ingleses e irlandeses. Os pescadores locais originalmente usavam o St. John para carregar cordas entre barcos, rebocar pequenas embarcações e recuperar redes de peixe lançadas na água. A lealdade do cão e o fato de ele trabalhar duro eram características valorizadas por esses pescadores.

Entretanto, o cão acabou por ganhar uma outra configuração de trabalho (responsável, talvez, por garantir sua existência até os dias atuais). A ilha é rica em caça, especialmente em espécies aquáticas. Aos cães foi atribuída a tarefa de recuperar as peças abatidas pelas espigardas, atividade desenvolvida ao longo de algumas décadas e atrativa para alguns nobres cavaleiros que viajavam por aquelas terras.

Eis que então, no ano de 1825, o terceiro conde de Malmsbury teve seu primeiro contato com a raça e enviou alguns exemplares para a Inglaterra. O conde (que criou os cães para caçar patos em sua propriedade), seu filho, os quinto e sexto Duques de Buccleuch e o descendente deles, Lorde George William Montagu-Douglas-Scott, foram fundamentais no desenvolvimento e estabelecimento do Labrador moderno no Século XIX na Inglaterra. Os cães Avon (“Buccleuch Avon”) e Ned, dados por Malmesbury para ajudar no programa de criação do Duque de Buccleuch, na década de 1880, são considerados os ancestrais de todos os Labradores modernos. Aliás, foram renomeados assim por conta da área em que foram desenvolvidos, conhecida por “Labrador”, diferenciando-os de seus predecessores de Terra Nova.

A nobreza passou a valorizar a raça como cão de caça esportiva e de aves aquáticas. Em 1870 ela já havia adquirido presença e as revistas de caça desportiva daquela época mencionavam o cão como um animal de constituição simétrica, não isento de elegância, dotado de um temperamento equilibrado e com aptidões naturais para o resgate. Alguns poucos canis de criação, então, cresceram na Inglaterra, ao mesmo tempo que uma combinação de políticas de proteção as ovelhas em Newfoundland levaram ao seu desaparecimento gradual no país de origem.

Descrições anteriores

Existem várias descrições anteriores do St. John’s Water Dog. Em 1822, o explorador W.E. Cormack atravessou a ilha de Newfoundland a pé. Em seu diário ele escreveu: “Os cães são admiravelmente treinados para recolher a caça de aves….. O cão de pêlo curto liso é preferível porque, em épocas geladas, os do tipo pelo longo se tornam sobrecarregados com o gelo ao sair da água”.

Outro relatório, do Coronel Hawker, descreveu o cão como “de longe o melhor para qualquer tipo de caçada. Ele é geralmente preto e não maior que o Pointer, muito fino nas pernas, com o pelo curto, liso, e não tem a cauda tão enrolada quanto o outro; é extremamente rápido correndo, nadando e lutando …. e é difícil de acreditar em seu olfato….”

Em seu livro Excursions In and About Newfoundland During the Years 1839 and 1840, o geólogo Joseph Beete Jukes também o descreveu: “Um cão fino, de pelos curtos, preto, veio até nós hoje. O animal era de uma raça muito diferente do que entendemos por cão de Newfoundland na Inglaterra. Ele tinha um focinho fino e afilado, uma longa cauda fina e pernas finas, mas bastante poderosas, com um corpo de pelo curto e liso”. “Estes são os cães mais abundantes no país … Eles são, sem sombra de dúvidas, bonitos, e são, geralmente, mais inteligentes e úteis do que os outros … eu observei ele colocar a pata uma ou duas vezes na água e a remar. Esta pata era branca, e Harvey disse que fez isso para atrair os peixes para uma armadilha. O processo todo me pareceu notável, ainda mais quando eles disseram que ele nunca tinha sido ensinado ou coisa do tipo.”

Um Cão da Realeza

É comum ver fotografias da rainha da Inglaterra ou do seu filho na companhia de um ou vários Labs, e não poderia ser diferente, já que a família real britânica parece ter uma história em comum com a raça. O rei Jorge VI foi um grande aficionado por esses cães, que o acompanhavam frequentemente em suas caçadas… e a rainha Isabel II sempre apresentou numerosos exemplares seus nas exposições caninas. O rei Jorge VI foi, também, patrocinador do Labrador Club, atitude legada aos herdeiros, pois ainda hoje a prova de campo final do clube conta com o apoio da família real, realizada anualmente nas terras de caça de Sandrigham, em East Anglia, propriedade dos monarcas.

O Clube da Raça e o Reconhecimento pelo Kennel

Em 1916, dois apaixonados pelos Labs, a Sra. Howe e o Lord Knutsford, fundaram o clube da raça, levando em consideração a fama que já havia adquirido e a necessidade de se introduzir critérios de seleção e proteção. Em 1920, o clube organizou a primeira prova de campo exclusiva para cães Labradores, e o primeiro padrão racial foi redigido por Lord Knutsford, em 1923, que desde então tem sido submetido a pouquíssimas alterações.

Em 1903, o Kennel Club inglês reconheceu oficialmente esta estirpe, incluída, um ano mais tarde, no grupo de cães de caça. No início, apenas os cães de pelagem preta eram considerados puros. Como nasciam cães de outras cores nas ninhadas, alguns criadores se uniram e fundaram o Clube do Labrador Amarelo, que foi a segunda cor a ser reconhecida pelo TKC (The Kennel Club). Por último reconheceram o chocolate, que também era comum, mesmo em ninhadas de pretos.

História dos Subtipos

Filhotes amarelo e chocolate apareciam de vez em quando (embora, muitas vezes, fossem abatidos), até que finalmente ganharam aceitação no século 20. O primeiro Labrador amarelo reconhecido foi Ben of Hyde, nascido em 1899, e os espéciemes chocolates se estabilizaram lá pela década de 1930.

Nos primeiros anos da raça até meados do século 20, Labradores de uma tonalidade que chamaríamos hoje de “amarelo” foram na verdade uma cor escura, quase caramelo. A tonalidade era conhecida como “Golden” até precisar ser alterada pelo Kennel Clube do Reino Unido, alegando que “Gold” não era realmente uma cor. Ao longo do século 20 uma preferência por tons de amarelo muito mais leve do tipo creme prevaleceu, até que hoje a maioria dos Labradores amarelos são desta tonalidade.

Interesse em tons mais escuros que ouro e vermelho raposa foram restabelecidas pelos criadores Ingleses na década de 80, e três cães foram fundamentais para essa mudança: Balrion King Frost (preto, nascido cerca de 1976.) que sempre gerou uma prole “amarelo muito escura”  e é creditado como tendo “a maior influência no re-desenvolvimento da tonalidade raposa vermelha”, e seu bisneto, o também famoso Wynfaul Tabasco (nascido em 1986), descrito como “o pai do moderno Labrador raposa vermelha”. Outros cães, como Red Alert e Scrimshaw Placido Flamingo, também recebem os créditos por passarem seus genes em mais de uma linhagem conhecida.

Já Jack Vanderwyk traça as origens de todos os Labradores Chocolate listados no banco de dados LabradorNet (cerca de 34.000 cães Labradores de todas as matizes) as oito linhagens originais. No entanto, a tonalidade não era vista como uma cor distinta até o século 20. Um grau de cruzamentos com Flatcoat ou Chesapeake Bay Retrievers também foi documentado no início do século 20, antes do reconhecimento.

Personalidade e Temperamento

Quem já teve contato com Labradores sabe que são criaturinhas maravilhosamente amigáveis e extremante dóceis com qualquer um que lhes cruze o caminho, o que já os desclassifica logo de cara para a função de “cães de guarda”. O ladrão nem precisa de um pedacinho de carne para convencer o cão a deixá-lo passar. Basta acariciar um pouco a cabeça que, pronto!  Já era! *rs. O máximo que o Lab vai fazer é latir um pouco, alertando sobre a presença. Mas não espere muito mais dele não.

Por outro lado essa raça é dotada de enorme inteligência, calma e disposição para atividades diversas. É muito fácil adestrá-los, tornando-os uma das raças mais versáteis do mundo, servindo ao ser humano em inúmeros serviços importantíssimos (vide o item “Curiosidades” no próximo post hehe!).

Sendo o animal carente que é, a ausência prolongada de seu dono pode ser “a morte” para ele. Portanto, se desejar ter um exemplar da raça, pense se poderá lhe dar a atenção que precisa (ou, no mínimo se haverá alguma outra pessoa que o faça). Uma boa opção é colocar o cão junto a outro animal; mais um cachorro ou gato o fará se sentir menos sozinho caso você não possa despender muito tempo com ele. O resultado de deixá-lo sozinho demais pode ser bastante semelhante ao do filme e livro “Marley e Eu”. Frustrados, eles se tornam extremamente destrutivos, cavando buracos no jardim, roendo móveis, mastigando almofadas, enfim… . Obviamente isso é mais intenso enquanto o cão é filhote, mas, ainda que diminua ao atingir a maturidade, a raça despende muita energia e espírito brincalhão, jamais recusando um segundo passeio ou brincadeira.

Como regra geral eles não são muito propensos a serem territorialistas, inseguros, agressivos ou outras características difíceis que às vezes se manifestam em uma variedade de raças. Um dos sites que li diz que o cruzamento de um Labrador chocolate com um amarelo pode gerar filhotes que fogem ao padrão natural da raça, trazendo tais desvios comportamentais. Sinceramente, ainda que eu ache que a genética tem sim seus pontos de importância, para mim, o principal fator de influência comportamental sempre será o dono. Mesmo raças fortes e com grande histórico de agressividade são muito calmas e equilibradas nas mãos de um dono consciente e verdadeiro líder de matilha.

Labs adoram brincar (principalmente com água) e são apaixonados por crianças e outros animais. Os jogos nos quais possa aplicar seus instintos de caçador são excelentes para drenar energia e dar foco, exercitando sua resistência e seu digníssimo faro (um dos melhores entre as raças). Pode passar horas seguidas correndo atrás de uma bola e a devolver tão divertidamente quanto se devolvesse uma presa de caça… e com a mesma delicadeza (ele consegue carregar um ovo na boca sem quebrá-lo).

Sua impetuosidade e sua ausência de medo podem exigir treinamento e manuseio firmes para garantir que ele não saia do controle de seu dono – um Lab adulto descontrolado pode ser bastante problemático. Esses cães costumam amadurecer com cerca de três anos e antes desta idade podem ter um grau significativo de energia, muitas vezes mal interpretada como hiperatividade. Agility, Frisbee ou Flyball são sempre boas opções de treinamento para trabalhar o foco e o consumo de energia (além das longas e lideradas caminhadas!! Nunca se esqueçam das caminhadas!!)

Esses fofos têm uma reputação bastante conhecida pelo seu indiscrimidado apetite, comendo, inclusive, objetos de fácil digestão que não são alimentos. São bastante persuasivos ao pedirem comida, exigindo cuidado redobrado do dono, já que a raça também carrega uma predisposição para a obesidade (e os problemas advindos dela).

Como são curiosos, seguem facilmente pessoas e aromas interessantes, principalmente se forem relacionados a comida. Por isso, não é tão difícil eles desaparecerem sem causar grande alarde. Como são uma raça popular, esse seu desaparecimento (ou furto), não é incomum. Uma boa dica (e recomendação de Kennels em algumas partes do mundo) é o uso de micro chips nos bichinhos, com nome do dono e endereço… ou, pelo menos, a presença da coleira com os dados, para o caso do cão se perder.

 

Veja a continuação deste post aqui, que fala sobre a aparência, a saúde e as curiosidades da raça.

Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Labrador_Retriever ; http://www.caotinhodolabrador.com/ ; http://arcadenoe.sapo.pt/raca/retriever_do_labrador/34 ; http://www.saudeanimal.com.br/labrador.htm ; http://en.wikipedia.org/wiki/Labrador_Retriever

10 comentários em “Raças – Labrador Retriever (parte 1)

  1. SHOW DE BOLA O POST…
    GOSTARIA SE POSSÍVEL QUE INCLUISSE TAMBÉM A RAÇA COCKER PANIEL INGLÊS, E O PINCHER SE POSSÍVEL POIS AS CARTEIRINHA FICARAM ALÉM DE MUITO BACANAS BEM INSTRUTIVAS… GRANDE ABRAÇO E PARABÉNS!

    1. Opa Márcio! Que bom que gostou do post. Chegou a ler a segunda parte?? Tem dicas ainda mais interessantes sobre a raça.
      Claro, verei de fazer posts sobre as raças que citou. Tenho interesse em transformar esse blog em um centro de referência bem completo com informações das raças. Assim que eu lançar algo sobre as raças que você citou, mando um email.
      Abraços e obrigada!

  2. Adorei o blog!!! Parabéns. muito informativo, fiquei aqui lendo td issu até pq é muito importante pra mim ainda mais eu que ganhei labrador retreiver femea ta com 1 mes 1 semana é a coisa mais linda! se chama hanna!!! ela eh muito levada da breca KKK. ESTE BLOG ME AJUDOU MUITO!!

    1. Vanessa, fico muito feliz em saber que o blog pode te ajudar. Sei que os textos são extensos, mas acho importante os donos terem consciêcia dos diversos aspectos da raça. Chegou a ler o restante do post, o “labrador parte 2”? Tem infos de saúde, cuidados básicos e afins. E dá uma lida nos conteúdos sobre filhotes na tag “Cesar’s Tips”, vai te ajudar a entender diversas questões dessa fase maravilhosa que é o crescimento do seu filhote. Espero que vocês sejam muito felizes nos vários deliciosos anos que virão!! Até mais!

  3. gostei muito, das referencias do labrador! tenho um com 3 meses! ele e muito esperto e tudo q vc falou. ADOREI SEU BLOG.

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